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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Lá em cima no Minho # Caminha


Caminha é uma bonita vila do Norte de Portugal, sede de município, localizada bem na foz do Rio Minho, num local abençoado pela natureza, fronteiriça com Espanha.
A vila de Caminha desenvolveu-se bastante a partir do século XII, com base na pesca e no comércio tanto fluvial como marítimo, quando diminuiu a pirataria no litoral. Pela privilegiada situação geográfica, Caminha era um ponto avançado na estratégia militar Portuguesa na luta contra castelhanos e leoneses, e o seu Porto foi de grande importância até meados do século XVI, servindo nos dias de hoje mormente para a ligação por ferry-boat a Espanha, na margem oposta. Diversas lutas e conflitos foram travados nestas paragens, tendo mesmo durante a 2ª Invasão francesa, em Fevereiro de 1809, sido atacada pelas tropas do Marechal Soult. A ajuda do povo às poucas tropas do tenente-coronel Champalimaud, impediu os franceses de entrar em Caminha. Uma defesa que constitui uma página brilhante de estratégia militar.
 



E
sta vila histórica, de ruas que respiram história, por entre casas típicas de dois andares, e outras brasonadas, denotando a importância politica e comercial da localidade, possui diversos locais de interesse, como a Foz do Rio Minho, que possibilita paisagens belíssimas. De facto, toda a faixa costeira do concelho de Caminha possui praias de grande beleza, extensos areais e uma luminosidade muito própria. 




sexta-feira, 13 de junho de 2014

S. João de Braga # 1

Exultam os bracarenses e o coração pula de alegria. É o são João de Braga, a maior festa do Minho e o orgulho das gentes brácaras. As festas, de cariz municipal já desde o inicio do século XVI, continuam a ser ponto mais elevado do associativismo e das tradições autenticamente bracarenses. Por este tempo, Braga transforma-se numa aldeia minhota em ponto grande. Este momento do calendário é a imagem de marca da cidade líder da região mais festiva de Portugal. Por isso mesmo, não admira a dimensão alcançada pela sua principal festa, que vai chegar a afirmar-se como a maior romaria de Portugal e um fenómeno turístico singular, no derradeiro quartel do século XIX.
As festas de São João são sem dúvida  o maior evento anual de Braga com maior teor histórico e raízes mais desenvolvidas no perfil identitário da população.
Não restam dúvidas de que se trata das festividades públicas em honra de S. João Baptista mais antigas de Portugal, remontando ao inicio ao inicio da nossa nacionalidade.
Os quadros bíblicos do rio Este, as danças do Rei David e dos pastores, passando pela originalidade detida por qualquer romaria minhota na sua religiosidade, folclore, foguetes, iluminações, concertinas ou cantares ao desafio, confirmaram a superior genuinidade desta celebração comunitária bracarense.
 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Maravilhas do Douro # Museu do Douro - Régua

 
Museu do Douro, situado na Régua, foi concebido como um museu de território, polivalente e polinuclear, vocacionado para reunir, conservar, identificar e divulgar o vastíssimo património museológico e documental disperso pela região, devendo constituir um instrumento ao serviço do desenvolvimento sociocultural da Região Demarcada do Douro. Numa perspetiva de "museologia de comunidade", o Museu do Douro assume-se como processo cujo desenvolvimento deverá envolver a colaboração ativa com as instituições locais, regionais e internacionais.
A gestão do Museu do Douro é da responsabilidade da Fundação Museu do Douro, criada pelo Dec. Lei 70/2006, instituindo-a como pessoa coletiva de direito privado e utilidade pública. A Fundação Museu do Douro tem como fim a instalação, manutenção e a gestão do Museu do Douro.
 
No cumprimento da sua missão o Museu do Douro preserva, estuda, expõe e interpreta objetos materiais e imateriais representativos da identidade, da cultura, da história e do desenvolvimento do Douro, independentemente da época histórica, de vários tipos e fabricos, com especial incidência nos elementos associados à vitivinicultura, atividade central no Douro.
O Museu do Douro assume o papel que lhe cabe na formação de valores culturais, em articulação ativa com os demais agentes e instituições, promovendo não só uma função educacional de divulgação e contextualização da cultura e história da região mas, sobretudo, proporcionando experiências capazes de motivar a participação e o envolvimento ativo da comunidade.
Como determinado pela lei da sua criação, o edifício sede do Museu do Douro situa-se na cidade de Peso da Régua, resultado da obra de reabilitação do emblemático edifício da antiga “Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro Vinhateiro”, inaugurado a 20 de Dezembro de 2008

 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Em Braga, sê Romano - MMXIV

Está cada vez mais próxima, mais uma edição da Braga Romana, e a cidade está a preparar-se para receber todos neste regresso à gloria de Bracara Augusta.
Bracara Augusta fundada pelo imperador Augusto, provavelmente no ano 16 a.C. ,no fim das guerras cantábricas. É possível que tenha sido criada já com direito latino. De qualquer modo, ou por privilégio de fundação ou, mais tarde, por promoção municipal, Bracara Augusta terá possuído estruturas de governo autónomas, com senado e magistrados.
Como capital de convento , exercia funções jurídicas, religiosas e económicas sobre um extenso território. Durante a primeira metade do seculo I, a cidade conheceu um povoamento sistemático, tendo então sido erguidos alguns dos seus edifícios públicos, ao mesmo tempo que iam sendo ocupados  os seus quarteirões residenciais.
A cidade deve ter atingido a sua máxima expansão no século II.
Os romanos dominaram Bracara Augusta durante mais de quatro séculos, obtendo um domínio estratégico e económico sobre o noroeste peninsular, que se vem a confirmar no século III, com a elevação da cidade a capital da província romana da Galécia.  

terça-feira, 13 de maio de 2014

Maravilhas do Douro # S. Salvador do Mundo

No concelho de S. João da Pesqueira encontra-se um belíssima paisagem natural da qual faz parte o monte de S. Salvador do Mundo, que se situa a 711m de altitude e dispõe, provavelmente, da paisagem mais deslumbrante do Douro, que nos permite admirar a parte do vale ( com as suas famosas e distintas quintas, dos quais se retira o néctar que formou e tornou este vale tão formoso e famoso), o leito do rio Douro, a barragem da Valeira e o antigo cachão, onde faleceu o marido da "Dona Ferreirinha".
Reza a lenda que em 1861, o barco que transportava o Barão de Forester voltou-se no cachão da Valeira. O barão acabou por ser arrastado para o fundo do rio Douro, por causa do conto de dinheiro carregado de dinheiro. D. Antónia também ia no barco mas graças às suas vestes, que a fizeram flutuar nas aguas do rio, salvou-se.  Hoje em dia depois das construções das barragens, o cachão da Valeira, o rio Douro já não constitui o perigo de outrora para os navegadores.
No monte de S. Salvador criou-se uma réplica da paixão de Cristo por iniciativa de Frei Gaspar da Piedade, que após uma viagem aos locais sagrados de Roma e Jerusalém, escapou milagrosamente a um naufrágio e decidiu edificar neste monte ermo, sobranceiro ao ponto mais perigoso do rio Douro, uma reprodução do calvário.
Venha conhecer esta e outras histórias numa viagem com a TUREL Viagens.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

si fueres Romae, Romano vivito more*

Braga está preste a receber mais uma edição da Braga Romana, no ano em que decorrem 2000 anos sobre a morte do seu fundador, Gaios lulius Caeser Octavianus Agustus ( 63 a. C - 14 d. C ) , mais conhecido por Augusto, o imperador de Roma que, segundo reza a história, faleceu a 19 de Agosto ( Augustos) do ano 14 depois de Cristo.
O evento Braga Romana tem o propósito de comemorar os primeiros tempos de vida daquela que foi a opulenta  Cidade Bracara de Augustos.
Bracara Augusta deve o seu nome de Bracara ao povo indígena que ocupava o território, e ao epíteto de Augusta, em homenagem ao Imperador Diocleciano, a capital da nova província da Galécia.
A recriação histórica "Braga Romana" pretende recriar o universo romano, em particular dos denominados Bracaraugustanos.
Bracara Augusta conserva um património impar, sobre o legado da presença romana na cidade como:
- as termas do Alto da Cividade;
- domus da escola velha da Sé;
- domus do seminário de Santiago;
- domus das Frigideiras do Cantinho;
- fonte do Ídolo;
- museu D. Diogo de Sousa, que guarda o grande espólio de achados arqueológicos ;
- balneário pré-romano na Estação Caminhos de Ferro;
- entre outros.
 
No espaço da" Braga Romana" é possível encontrar vários espaços desde a área pedagógica ( Quadratum Paedagogico), passando pelo Acampamento Militar ( Castra Leg. VI Victrix), Termas e Estética ( Quadrutum SPA), até ao Mercado Romano e a Área de Alimentação.
No programa da " Braga Romana" destacam-se os espetáculos de recriação como lutas de gladiadores, rituais a deuses romanos, casamento romano e o grande cortejo triunfal de Bracara Augusta pelas ruas do centro da cidade, composto por milhares de figurantes rigorosamente trajados à época.
Está é sem dúvida uma excelente opurtunidade para conhecer Braga no seu esplendor romano.
Conheça o programa da TUREL Viagens para dois dias e certamente irá regressar.
 
* Em Roma, sê Romano

terça-feira, 6 de maio de 2014

Maravilhas do Douro # S. João de Lobrigos

Numa paisagem marcada pelas vinhas de Santa Marta de Penaguião, encontra-se uma igreja de média dimensão, com uma fachada diferente das usuais do estilo barroco, e de uma beleza interior sem par na região do Douro.
A igreja foi edificada no século XVII/ XVIII, apresenta uma robusta torre sineira, na qual se abre uma galilé.
Todo o seu requinte está oculto no interior, na ornamentação da talha barroca do altar-mor, do arco triunfal, dos caixotões e do coro alto. A capela-mor usufrui de uma combinação harmoniosa, entre a decoração do altar e os 22 painéis dos retábulos das paredes laterais, que retratam a vida de S. João Baptista, desde o seu nascimento até ao seu martírio. O teto reproduz a iconografia bíblica do Antigo e Novo Testamento.
A igreja possui ainda um órgão de tubos do século XVIII, o único novel no distrito de Vila Real.  
A igreja de S. João de Lobrigos é uma verdadeira beleza que merece uma visita, quer pelo edifício em si, quer pela paisagem em que está inserida.
Venha com TUREL Viagens conhecer o Douro Religioso. Passe no página de facebook da TUREL Viagens e conheça as novidades.
 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Tradições de Primavera

Na época primaveril qualquer viagem que se faça pelo Norte  de Portugal é marcada por uma paisagem com cores da giesta, que curiosamente apesar de proliferar o tom amarelo também as há branco (especialmente na região do Douro).
Para além da giesta alegar a paisagem, e ser símbolo do fim do inverno e inicio da primavera, a ela estão associadas várias lendas  e tradições.
No dia 30 de Abril, no Norte de Portugal, antes da meia-noite, é tradição colocarem-se em todas as portas e janelas das casas, um ramalhete de giestas amarelas, e aí devem permanecer toda a noite  de 1 de Maio. 
 Daí o nome popular "Maias", nome esse, mais conhecido entre nós.
Segundo uns, é uma forma de afastar os "maus olhados", segundo outros, para "afastar o diabo" e ainda outros, "contra a fome", isto é, para que haja "sempre fartura", "comida na mesa".
 É frequente nestes dias encontrar várias pessoa de ramalhete amarelo na mão, a maioria  apanhado pelos campos, onde crescem em abundância, e "pintam" a paisagem de amarelo.
É curioso como as pessoas se entregam a esta tradição,  não havendo distinção quanto aos credos por que se regem...afinal, a maioria das pessoas, só quer preservar esse hábito que seus pais deixaram.
  
Arbusto que cresce espontaneamente nos campos, com flores amarelas, bonitas, e de cheiro intenso, que enfeitam e embelezam, de certa forma, os campos, nesta época do ano.
Há várias histórias acerca das giestas, mesmo do tempo de Jesus Cristo e de Nossa Senhora.
Conta-se que Nossa Senhora, quando fugiu para o Egipto, ía colocando pelo caminho, raminhos de giestas, para quando regressasse, não se perder, uma forma de se orientar no regresso.
 Também se conta que os Judeus colocaram na porta de casa de Jesus um ramo de giestas, assinalando, assim, aos guardas, a Sua casa, para que, no dia seguinte O prendessem. 
Acontece que, com o intuito de O protegerem, toda a povoação colocou nas suas portas, ramos iguais, e conseguiram, dessa forma, salvá-LO.
 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O Farricoco da Semana Santa de Braga

O farricoco era, no passado, uma forma dos fiéis cristãos bracarenses se penitenciarem dos seus pecados, propondo-se caminhar descalços e incógnitos nas procissões que percorriam a cidade.
 O confessor dava a penitência durante a confissão e os fiéis cumpriam à risca tal preceito.
 Ajudavam a iluminar as ruas durante os préstitos e a chamar os fiéis às celebrações com o auxílio das matracas, dado que os tilintar dos sinos era proibido durante este tempo especial. O som estridente das matracas, com o seu ruge-ruge era também sinal de penitência...
Entretanto, os farricocos foram-se aproveitando do seu anonimato para denunciar publicamente os pecados daqueles que não faziam penitência. O ambiente era, por isso, temeroso, e algumas pessoas recusavam vir às janelas, não fosse cair-lhes em cima alguma acusação.
Hoje, as procissões já quase não servem para penitências, mas o farricoco mantém-se como figurante primordial.
 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Pio Latrocínio

Uma lenda prodigiosa com origem em escritos de Atanásio de Saragoça coloca Braga em primeiro lugar na rota das pregações de S. Tiago aos povos das Espanhas e atribui ao apóstolo a ressuscitação do “primeiro” bispo bracarense, S. Pedro de Rates.
Apesar de estar pouco difundida pelo mundo católico, a lenda do milagre de S. Tiago em Braga retira peso à de Compostela, por ser a história surpreendente da única ressuscitação do apóstolo durante a sua lendária digressão pelas Espanhas. Faz parte de “uns fragmentos” de obras atribuídas a Santo Atanásio, “primeiro bispo” de Saragoça e “discípulo” de Santiago.
 Esses fragmentos foram descobertos em livrarias monásticas da Sardenha e de Aragão, há quase quatro séculos, pelo padre jesuíta Bartolomeu André de Olivença, lente de Teologia no Colégio de Alcalá, por informação em 1635 do arcebispo de Braga, D. Rodrigo da Cunha.
 O fabuloso relato só não catapultou Braga para centro das peregrinações europeias em torno do apóstolo porque, ao longo dos tempos, a igreja compostelana procurou ofuscá-lo. Apesar de ter surgido 900 anos após a fundação de Bracara Augusta, Compostela acabou por trocar as voltas a Braga ao disputar-lhe a primazia já no século XII. Em 1102, o bispo compostelano Diogo Gelmires levou de Braga, pela calada da noite, qual salteador, as relíquias do bispo bracarense S. Frutuoso e dos mártires S. Silvestre, S. Cucufate e Santa Susana.
tal atitude não punha problemas morais e era bastante frequente entre monges, sacerdotes, e como nesta caso comprova Bispos, durante a idade média. A justificação de D. Diego Gelmires para o seu ato, era que desta forma as relíquias recebiam a " devida adoração" em Compostela.
No dia 1 de Abril de 1103, S. Geraldo, arcebispo de Braga, estava em Roma para se queixar desse acto extorsivo de Compostela, regressando de lá com poderes eclesiásticos acrescidos sobre as Espanhas. Porém, o “roubo” de Diego Gelmires ou “Pio Latrocínio”, como lhe chamou eufemisticamente a Igreja compostelana, só foi reparado oito séculos mais tarde: as relíquias de S. Frutuoso foram devolvidas a Braga em 1966 e as dos mártires referidos em 1993.
Nos nossos dias as relíquias de santos já não são motivo principal de visita, mas as igrejas e catedrais que as albergam, bem como os caminhos de peregrinação, merecem sem sombra de dúvida uma visita pelos monumentos e pela história. Faça-a connosco www.turelviagens.com

quinta-feira, 27 de março de 2014

Os Trípticos

*Altar de Ghent " Adoração do Cordeiro Místico" Jan Van Eyek
Os trípticos surgem na Idade Média numa altura em que a crise económica se acentuava e se torna insuportável a construção de grandes edifícios. Os trípticos são a solução para decorar um altar ou catequizar os cristãos com histórias que as imagens contavam ( geralmente divididas em 3 painéis). Os temas mais frequentes são passagens bíblicas, como é o caso do * Altar de Ghent (em que o tema central é a adoração do cordeiro místico, mas onde estão também representados adão e eva, a anunciação, profetas, figuras da igreja, anjos e ainda os retratos de quem encomendou a obra divididos por 12 painéis).
A grande vantagem dos trípticos ou dípticos é a facilidade com que se podem transportar. Apesar de ser mais frequente em pintura, há alguns exemplares em que uma escultura se abre em 3 painéis que contam uma história ou um dogma de fé.
A igreja não foi a única a utilizar esta solução de arte portátil. Muitas famílias mais abastadas optam por um tríptico ou díptico para ornamentar um altar privado em casa ou capelas.
Portugal tem um precioso exemplar de um tríptico que  representa episódios do nascimento de Jesus Cristo. O valioso tríptico foi oferecido por D. João I - Mestre de Avis, à Colegiada de Guimarães para agradecer a vitória da Batalha de Aljubarrota e a intercessão de Nossa Senhora da Oliveira. O Tríptico fazia parte do espólio do rei D. João I de  Castela que o deixou para trás após a perda da batalha.
Hoje pode ser visitado no Museu Alberto Sampaio em Guimarães.  
O painel retangular com três partes representando cinco episódios do nascimento de Jesus : ao centro o nascimento, do lado esquerdo a Anunciação e Apresentação do Menino no templo. do lado direito, a Anunciação aos pastores e a Epifania.  
 
Tríptico da Natividade - peça de ourivesaria em prata dourada
 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Na Senda de S. Bento # S. Martinho de Tibães

quinta-feira, 20 de março de 2014

Na Senda de S. Bento # Mosteiro de Santo André de Rendufe

  A história do mosteiro beneditino de Rendufe remonta à época do Conde D. Henrique e, muito embora se desconheça a data da sua fundação, eventualmente devida a Egas Pais de Penegate, é possível que tenha ocorrido pouco antes de 1090, pois em Dezembro desse ano o seu abade figura num julgamento (MATTOSO, 1971, p. 13). De acordo com uma inscrição existente no pavimento, junto ao arco do cruzeiro, a igreja já se encontrava concluída em 1151 (SOUSA, 1979, p. 29). Durante a Idade Média foi um mosteiro bastante rico e com um amplo domínio mas, à semelhança do que aconteceu em boa parte das casas conventuais do nosso país, experimentou um forte abalo em consequência da gestão ruinosa dos abades comendatários e, anteriormente, das questões levantadas entre o mosteiro, o arcebispo e a família patronal dos Vasconcelos (SOUSA, 1979, p. 30). Essas questões conduziram mesmo à sua extinção e pronta restauração, em 1401.

 A grande reforma da primitiva igreja deveu-se à iniciativa (ao que se pensa forçada pelo Arcebispo) do último comendatário - D. Henrique de Sousa (descendente do cardeal Alpedrinha), que em 1551 reedificou o mosteiro. O templo passou, então, a possuir três naves com capelas laterais. Esta campanha de obras permitiu que a igreja se mantivesse até ao século XVIII, não se integrando no conjunto de mosteiros remodelados depois da criação da Congregação beneditina, em 1567.

 Os reflexos do final do regime comendatário fizeram-se sentir ao longo do século XVII, através de várias obras que denunciam um desejo de remodelação e atualização estética, consumado na centúria seguinte. Assim, poderíamos citar, entre as mais significativas, a fachada da portaria, que ostenta a data de 1638, e que segue modelos quinhentistas divulgados no tratado de Sebastião Serlio (SMITH, 1969, pp. 9 e 10). O texto da nave foi forrado por duas vezes, e na sacristia registam-se móveis novos, executados por Agostinho Marques, de Braga, em 1697 (IDEM, p. 5).
É, no entanto, durante o primeiro quartel do século XVIII que se assiste a uma constante atividade construtiva, responsável pela reforma integral da igreja, e demais dependências conventuais, grande parte das quais, infelizmente, desaparecida no incêndio de 1877. A existência de registos periódicos, os chamados Estados de Tibães, permite acompanhar as obras, triénio a triénio. Assim, entre 1716 e 1719 levantou-se a nova igreja, de planta em cruz latina, com nave única coberta por abóbada de berço e dois altares laterais, transepto, altares colaterais e capela-mor de grandes dimensões, num traçado que obedece à generalidade das plantas beneditinas da época (IDEM, p. 12). A fachada, por sua vez, afasta-se dos modelos empregues anteriormente, ao apresentar um portal central, a que se sobrepõem três nichos com as imagens de Santo António, São Bento e Santa Escolástica (as atuais são de época posterior), e três janelas ovais. No interior, o arco da tribuna e a nova abóbada da capela-mor são de 1725-28. A talha foi executada entre 1719 e 1725, e dourada entre 1725 e 1728, continuando depois, em 1752-1755. É de estilo nacional, filiando-se o retábulo da capela-mor no de São Bento da Vitória, no Porto, razão pela qual Roberth Smith atribui a sua autoria ao do entalhador da igreja portuense, Gabriel Rodrigues. Situação semelhante verifica-se ao nível do cadeiral do coro (1722), embora o de Rendufe apresente telas e não relevos. A talha das bancadas da capela-mor pode ser cotejada com a de Tibães (atr. A Frei José António Vilaça) que, tal como a das janelas, é já rococó (IDEM, p. 27).
Por sua vez, a biblioteca foi edificada no triénio de 1716-19, tal como o claustro, do qual apenas subsistem as ruínas com arcadas de capitéis toscanos. O novo dormitório remonta a 1728-31. Uma das últimas obras, mas de grande significado, por obedecer a novas directivas que visavam retirar o Santíssimo Sacramento da capela-mor, foi a edificação da capela do Sacramento, em 1777-80, numa linguagem pombalina. (RC)
 

terça-feira, 18 de março de 2014

Na Senda de S.Bento

Na semana em que decorrerá o Congresso de S. Bento, o Alforge de Viagem percorre os Mosteiros Beneditinos do Norte de Portugal.
 Na Senda de S. Bento é a proposta da TUREL Viagens, para quem quiser conhecer, mais profundamente, o legado beneditino. Junta-te a nós.
Aqui no Alforge a visita começa em Santa Maria de Bouro.

Na Senda de S.Bento # Santa Maria de Bouro

A Igreja e o Mosteiro de Santa Maria de Bouro, erguidos sobre o Antigo Mosteiro de S. Bernardo, foram completamente remodelados sobre a arquitetura barroca no século XVIII.
O antigo Mosteiro de S. Bernardo era uma Abadia Cistercience fundada em 1148. A Ordem de Cister era uma ordem de origem francesa que tinha como finalidade a simplicidade e o puritanismo. Daí que todos os Mosteiros tivessem de ser edificados em locais desertos devido ao respeito e ao silêncio. A escolha do local da construção do mosteiro também foi importante, pois era necessário que a terra fosse fértil e que tivesse água por perto, pois a rígida clausura a que remetiam os monges, fez com que o mosteiro tivesse de ser auto-suficiente. Era indispensável estar afastado de qualquer localidade ou castelo.
 Para a sua sobrevivência, continham necessariamente: o moinho, forjas, celeiro e oficinas. A austeridade, o acetismo, o silêncio e abstinência eram princípios fundamentais e os monges desta Ordem vestiam hábitos de castanho e tinham barba. Este Mosteiro foi erguido em nome de S. Bento e de S. Bernardo porque foram os dois monges fundadores desta Ordem.
A cabeça desta Ordem em Portugal era o mosteiro de Alcobaça que foi fundado em 1153.
A lenda:
O mosteiro de Santa Maria de Bouro está envolvido numa lenda. Na ocupação muçulmana do século VIII, dois eremitas presenciaram várias luzes à noite numa rocha. Foram ver do que se tratava e encontraram uma bela imagem da Virgem Maria com o seu Menino Jesus ao colo. Para a sua adoração, decidiram construir uma ermida para albergar a imagem. Este mistério atraiu imensos peregrinos e foi mais tarde construída uma Abadia e a própria Igreja e Mosteiro de Santa Maria de Bouro. Em 1162, existia neste local um pequeno grupo de eremitas, segundo um documento da chancelaria de D. Afonso Henriques. Este grupo de homens vai agrupar-se segundo a Regra de S. Bento em 1182, e antes do final do século, este mosteiro vai filiar-se na Ordem de Cister.
Durante a crise de 1383-85 o abade do mosteiro juntou 600 homens em defesa da fronteira da Portela do Homem, conseguindo suster o avanço das tropas galegas. Como reconhecimento pelo seu papel D. Nuno Álvares Pereira agraciou o abade com o título de Capitão-Mor e Guarda das Fronteiras dando-lhe a prerrogativa de poder levantar exército, sempre que considerasse necessário.
Invocando as suas origens, a fachada da igreja, sujeita a profundas remodelações, exibe as imagens de São Bernardo e São Bento com a virgem ao centro.
 Por sua vez na fachada do convento que se desenvolve perpendicularmente à igreja, encontram-se entre as varandas superiores cinco estátuas de personagens importantes na história do país e do próprio convento, com pequenas inscrições anexas: o conde D. Henrique (supõe-se que o seja apesar de ser designado ALFONSUS em vez de HENRICUS), D. Afonso Henriques (sob o reinado do qual foi fundado o mosteiro, diz a inscrição), D. Sebastião (que suprimiu a comenda do convento), o cardeal D. Henrique (que fundou a Congregação Autónoma), e D. João IV (o restaurador da monarquia portuguesa).
 No início do século XVIII, foi construído um novo refeitório e cozinha, bem como uma nova ala a oeste do claustro, tendo sido para aí transferido o novo acesso ao mosteiro. Em 1834 com a extinção das ordens religiosas masculinas o mosteiro foi abandonado vindo depois a ser vendido em hasta pública a particulares. Em 1986 parte do mosteiro é adquirida pela Câmara Municipal de Amares (por 200 contos). Em 1989 é apresentado o projeto do arquiteto Eduardo Souto Moura para adaptação a Pousada das dependências do mosteiro, cujas obras se iniciariam em 1994 sendo a pousada inaugurada em 1997.
 

 
 

terça-feira, 11 de março de 2014

Turismo Criativo


Turismo Criativo – conceito

Com forte vertente cultural, o turismo criativo é um conceito dinâmico que vai ao encontro das atuais motivações turísticas, e sobretudo das tendências, de procura de experiências em que o turista participa ativamente, tornando-se parte vital do produto, e com isso valoriza-o.
Na abordagem criativa do turismo, o turista é simultaneamente produtor e consumidor de experiências, agarrando raízes culturais, abraçando a humanidade, em busca de autenticidade, ou meramente do que lhe é diferente; libertando o stress do bulício urbano ou fugindo do silêncio do seu mundo rural em busca de espaços em que se cruzam e aculturam os povos do mundo! 

O turista já não quer apenas ver vindimar, quer passear pelas quintas, colher e pisar as uvas; o turista já não quer esperar à mesa pela gastronomia quer participar na sua confeção, o turista já não quer apenas assistir ao folclore, mas antes dançar e cantar - viajando na história e cultura dos povos; o turista já não quer apenas levar lembranças das áreas de destino, mas antes participar na sua criação - o turista cansou-se de assistir. O turista quer, cada vez mais, viver experiências que o integrem, que o envolvam, que o enriqueçam, que o divirtam, que o libertem de algo….

 
O Turismo Criativo - vantagens

Turismo Criativo não é mais do que pensar o setor de forma inovadora, fora dos padrões convencionais e dos velhos conceitos. Como atividade económica, todos ficam a ganhar: empresários, agentes, operadores, órgãos de turismo, cidades, regiões e, principalmente, os turistas.
Partindo da premissa que as cidades e regiões criativas atraem mais turistas e negócios, às quais se juntamos investimentos, movimento e visibilidade da região. Quando se fala em cidades ou regiões criativas não se está a fazer referência apenas àquelas que têm na economia criativa os seus principais trunfos. Mas também nas regiões que pensam e planeiam o turismo de forma inovadora e criativa o tempo todo. Sejam nos seus produtos, destinos, equipamentos, histórias, arquitetura, festas, cuidado com o meio ambiente, cultura, enfim tudo que possa trazer inovação para todos os setores e de forma constante à região.

Com o turismo criativo pretende-se mostrar que qualquer cidade, região, hotel, produto ou profissional do turismo pode beneficiar de ações e projetos criativos para o desenvolvimento do setor, atrair turistas e gerar rendimentos.
 
O primeiro passo tem que ver com a descoberta das origens e da essência muitas vezes apagada ou esquecida de cada região. Procurar onde está a autenticidade e os diferenciais criativos de uma cidade ou de um simples produto ou projeto turístico. Procurar como se pode vender um pacote turístico de forma criativa. Assim percebe-se que no turismo criativo não existe um ingrediente único ou resposta específica que possa explicar este novo segmento de turismo. Fundamental é ter ideias e coragem para inovar.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O que são atrações culturais?

Entende-se por atrações culturais os elementos da cultura que, ao serem utilizados para fins turísticos, passam a atrair fluxos turísticos. 

São os bens e valores culturais de natureza material e imaterial produzidos pelo homem e apropriados pelo turismo. 

Desta forma, é possível levantar informações que subsidiem a estruturação de destinos com foco no Turismo Cultural

Essas informações revelam ainda a importância do uso de estudos e pesquisas para o correto planeamento de ações que valorizem a cultura e as tradições locais dos destinos turísticos, contribuindo, assim, para o desenvolvimento das regiões e o fortalecimento do segmento.

Cabe ressaltar que o desenvolvimento e a promoção de atrações culturais, bem como de produtos e atividades culturais, integrados a outros segmentos, contribuem para a diversificação da oferta e diminuição do período de sazonalidade turística em determinados destinos cuja oferta turística tenha como vocação principal outros segmentos de turismo, como por exemplo, o Turismo de Sol e Praia e o Turismo de Negócios e Eventos.

Para a elaboração de roteiros de fim-de-semana ou férias bem como para a formatação de produtos turísticos culturais, é importante ter conhecimento acerca das atividades que podem ser praticadas no âmbito do segmento. 

A identificação das principais atrações culturais pode auxiliar na definição da vocação do destino e fortalecer o seu posicionamento no mercado. Poderá também auxiliar, no mapeamento de oportunidades de negócios e diversificação de serviços que se pode oferecer, tornando o destino mais competitivo. 

Exemplos de atrações culturais 


Com base nos conceitos de património cultural (material e imaterial) estabelecidos pelas instituições de referência no setor, define-se como os principais tipos de atrações culturais

• Sítios históricos – centros históricos (classificados como Património Mundial pela UNESCO por exemplo Guimarães);  

• Edificações especiais – arquitetura (marcada por um estilo arquitetónico especifico como a Rota do Românico), ruínas ou sítios arqueológicos (que comprovam a presença de povos da Antiguidade Clássica no território português como Conimbriga); 

• Obras de arte – pintura, escultura (visitáveis em edifícios como museus e casas de cultura); 

• Festas e celebrações locais (de cariz religioso como Semana Santa em Braga ou S. João); 

• Gastronomia típica - pratos da culinária local (quase sempre já integrados nos roteiros turísticos mas que podem funcionar como motivo principal de vista como a Festa da Francesinha no Porto);

• Feiras e mercados tradicionais (com mostra de produtos regionais ou de representação do passado como a Viagem Medieval de Santa Maria da Feira ou a Braga Romana);

• Eventos programados – festivais de teatro, de música ou folclore (como o Mimarte em Braga ou a Noite Branca). 

As principais atrações culturais ainda estão muito ligada à experiência de conhecer museus e cidades com património reconhecível em qualquer parte do mundo. 

Daí a importância que cidades como Paris, Londres ou Roma, mantém. 

Simultaneamente verifica-se que as cidades procuram sediar importantes eventos culturais, como ser durante um ano Capital Europeia da Cultura, para colocar as suas cidades nos mercados do Turismo Cultural ou desenvolver ações de criatividade que envolvam o turista na realização de atividades concretas, que lhe proporcionem o saber fazer de algo que com a sua visita conheceram. 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O que é o Turismo Cultural?

O turismo cultural compreende as atividades turísticas relacionadas com a vivência do conjunto de elementos significativos do património histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura.

A Organização Mundial de Turismo desenvolveu uma definição de turismo cultural, que abarca “movimento de pessoas essencialmente por motivos culturais, incluindo visitas de grupo, visitas e roteiros culturais, viagens a festivais, visitas a sítios históricos e monumentos, folclore e peregrinação”.

O aspeto central nessa definição é que o turismo cultural envolve “essencialmente motivações culturais”.

Entende-se que na atualidade o turismo cultural não deve ser apenas a exploração e valorização da cultura do património material como edifícios, sítios e monumentos históricos mas também produtos e serviços que incluam a gastronomia, folclore, atrações populares, e artesanato.

Quais as origens do Turismo Cultural? 


O que define o turismo cultural é a motivação da viagem em torno de temas da cultura.

As viagens de interesse cultural nasceram na Europa sob a égide do renascimento italiano, quando a aristocracia se deslocava de férias, interessada em conhecer os sítios históricos e arqueológicos que inspiraram artistas como Michelangelo e Da Vinci e depois às próprias cidades que foram o berço do movimento artístico.

Inspirado pelas viagens do período renascentista nasceu a grand tour, que consistia numa longa temporada em diferentes cidades europeias consideradas como o berço da civilização ocidental e que podiam durar anos.

O público da grand tour eram os aristocratas, nobres e burgueses da própria Europa e também das Américas, pessoas que tinham disponibilidade de tempo e recursos para investir nessas viagens culturais.

Um dos aspetos mais interessantes do grand tour era exatamente a sua forma convencional e regular, considerada como uma experiência educacional, um atributo de civilização e de formação do gosto.

Não havia ainda o mercado turístico tal como conhecemos nos dias atuais, uma cadeia produtiva organizada, com todos os serviços e produtos.

Isso só se concretizou séculos depois.

Mas encontramos no grand tour o embrião do turismo cultural, em que a principal motivação de viagem envolve algum aspeto de cultura.

Desses primórdios até a atualidade, a cultura continua a ser uma das principais motivações das viagens em todo o mundo e durante muito tempo os destinos eram exclusivamente os grandes conjuntos arquitetónicos, os museus e os lugares que abrigavam os tesouros materiais de culturas passadas.

Com o tempo, modificou-se o próprio conceito de cultura, ampliou-se os limites do que os estudiosos e as instituições responsáveis pelas iniciativas de preservação entendiam como património cultural. 

Turismo Cultural na atualidade


O turismo cultural movimenta 44 milhões de turistas, que procuram turismo cultural na Europa.

O património cultural motiva a viagem e, por isso, aproxima civilizações.

Através deste segmento de turismo fomenta-se a preservação do património bem como a sua dinamização por forma a criar um ambiente único e uma experiência autêntica.

O turismo cultural motivado pela visita e conhecimento do património histórico proporciona o diálogo com a criação contemporânea.

O tipo de turista deste segmento cultural procura singularidade, tradição aliada à contemporaneidade nos recursos, nas infraestruturas e nos serviços e envolvimento pessoal com as pessoas e cultura locais.

O Turismo Cultural em Portugal 


Existe em Portugal uma diversidade patrimonial extraordinária.

Sendo Portugal um pais que a acolheu vários povos com as suas culturas, ao longo de centenas de anos, é pois natural que tendências várias de expressão e propostas estéticas se manifestem nos tesouros arquitetónicos, civis, religiosos e militares, representados em vários roteiros um pouco por todo o país.

Os principais países emissores de turistas culturais são: Espanha, França, Reino Unido, Escandinávia e Alemanha.

Portugal tem todo o tipo de atrações culturais que convidam a umas férias ou fim-de-semana na experiência do turismo cultural